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A importância do teatro no nosso colégio


Desde a criação dos primeiros colégio da Companhia de Jesus que foi central o papel do teatro e da expressão dramática na formação dos alunos. Com efeito, a intenção de se aliar a tradição medieval de ensino com as novidades humanistas do Renascimento (uma antecipação daquilo que, hoje, no nosso Colégio, designamos como a aposta na "inovação pedagógica" sem perder a "tradição") impunha um método que permitisse desenvolver todas as capacidades da pessoa humana e potenciar a sua criatividade. O teatro era, pois, uma das artes que mais realizava este objetivo, ao potenciar a comunicação, o autodomínio e a criatividade, e revelando-se uma forma de arte muito completa. A expressão dramática fazia, pois, parte da formação dos alunos, bem como da formação dos próprio jesuítas.

No Colégio de S. João de Brito, essa centralidade não se perdeu. Os alunos têm expressão dramática/teatro como atividade extracurricular ou circum-escolar desde o jardim de infância. Nessas aulas, os alunos vão trabalhando a memória, o corpo, a localização espacio-temporal e a vocalização, com atividades de "conto e reconto" e dramatização que se vão desenvolvendo de forma lúdica e ainda bastante informal, sobretudo até ao 4.º ano. No segundo ciclo, já há a preparação de um espetáculo para apresentação formal aos pais e colegas no final do ano e, a partir do 7.º ano, passa a haver a oferta do GTI (grupo de Teatro Inaciano), completamente gratuita, para os alunos que quiserem inscrever-se. A adesão é grande e constituem-se normalmente cerca de três grupos, com ensaios de 2 horas por semana, em diferentes fins de tarde. Essas turmas do GTI, normalmente constituídas por alunos de diferentes anos, dão origem a dois espetáculos apresentados no fim do ano, e à atividade regular da Hora do Conto, em que, de três em três semanas, há uma nova história dramatizada pelos alunos na cripta do Colégio, para um público assíduo e numeroso, constituído por colegas dos atores e por muitíssimos alunos do 5.º e 6.º anos.

Segundo a professora de Teatro, a atriz Ana Castro, o maior desafio é a falta de tempo, já que duas horas de ensaios por semana são muito pouco para tudo o que há a aprender e a trabalhar: aprendizagem do texto, desinibição, projeção da voz, marcação e posicionamento em palco, bem como a gradual criação da personagem pelos jovens atores, descobrindo o método que melhor funciona para cada um ("de forma para dentro", isto é, por imitação, ou "de dentro para fora", a partir das experiências internas do ator). O trabalho de teatro desenvolvido com os nossos alunos pretende-se sério, como forma de cada se conhecer melhor a si mesmo para depois ser capaz de se identificar com a personagem, apesar dos seus contrastes e contradições. Um trabalho, no fundo, que é também de crescimento espiritual: perceber interiormente a complexidade da pessoa humana e que o mundo não é todo a preto e branco. Isso leva tempo, e é a grande meta do trabalho desenvolvido no GTI.

Não obstante esse desafio geral, cada grupo faz um percurso independente de crescimento. Por exemplo, o grupo responsável pela Hora do Conto na cripta acaba por fazer um trabalho mais imediato, "debaixo de chicote", com menos liberdade de ação e com a incumbência de decorar textos muito rapidamente. No entanto, também eles participam do processo criativo, neste caso através da escolha dos livros e das decisões coletivas sobre como dramatizar os textos e os transformar num espetáculo dramático.

Já para os outros grupos, um desafio importante é a responsabilização crescente, ao longo do ano: a partir de meados do 2.º período, quando os ensaios das peças já são corridos (e não "cena a cena"), a falta de um ator implica frequentemente que ninguém possa ensaiar. Há uma disciplina que é preciso assumir, e um compromisso para com todos, que os alunos levam muito a sério.

Este ano, uma das turmas, constituída por alunos do 7.º e 8.º ano, levará a cena a obra "Leandro, rei da Helíria", de Alice Vieira, em data ainda por definir. A outra turma, constituída por alunos do 9.º e 11.º ano, tem estado a trabalhar uma colagem de textos a partir dos "Crimes Exemplares" de Max Aub, já com data de apresentação marcada para 28 de junho. Esta obra, composta por testemunhos de assassinos confessos da América Latina, constitui uma recolha de textos hilariantes que revela, por um lado, as incontáveis fragilidades humanas e, por outro, a facilidade com que as pessoas procuram justificar-se daquilo que fazem. A empatia que as personagem vão suscitando no público, apesar da gravidade dos atos cometidos, conduz a uma reflexão muito interessante sobre os crimes que todos nós cometemos ou somos capazes de cometer, dadas as circunstâncias do nosso quotidiano. O desafio tem sido dramatizar estes textos sem cair na repetição e na previsibilidade. Será que os atores serão capazes de nos surpreender?

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