
"Os Campos de Férias Inacianos organizados pelos campinácios (camtil e gambozinos) , sendo actividades de pastoral juvenil, constituem uma das prioridades apostólicas da Companhia de Jesus em Portugal. Neste sentido, esta actividade educativa/pastoral é acompanhada, fomentada e orientada com particular diligência, pelos jesuítas, de modo a que a Pedagogia Inaciana nunca deixe de ser a fonte inspiradora de todos os Campos de Férias. Por isso, a actividade educativa/pastoral nos Campos de Férias Inacianos apresenta uma especificidade e originalidade próprias, nomeadamente ao nível das características e funções dos animadores, do itinerário típico, da qualidade das relações interpessoais e da vida de grupo desta actividade educativa/pastoral.
Pensamos que os Campos de Férias Inacianos possibilitam, a quem neles participa, um novo crescimento no modo de ser pessoa nos seguintes aspectos: na vivência da fé; no estilo de vida e de relação com os outros e no modo de conceber o homem, a vida e o mundo, nos seus valores mais fundamentais. Por isso, estamos convencidos de que um campo de férias constitui uma experiência de grande significado existencial na vida de cada participante e de cada animador. Isto revela-se nas pequenas transformações ou conversões que acontecem ao longo do campo e que depois serão referência na vida quotidiana de todos.
Consideramos um Campo de Férias Inaciano como um laboratório de e para a vida. É certo que toda a experiência se desenrola num ambiente muito propício e de certo modo artificial – homogeneidade etária, afectiva e emocional; ambiente de maior veracidade e partilha no que respeita à própria identidade, etc. – quando comparado com o comum do quotidiano. Todavia, mesmo correndo o risco de uma certa artificialidade em relação à vida quotidiana, é inegável e evidente que um acampamento se torna numa escola e lugar onde todos podem viver com verdade os valores da amizade, da autenticidade e do amor. Assim, cada pessoa, tendo como referência os dez dias vividos num campo, pode acreditar, vivenciar e testemunhar estes mesmos valores, não somente como ideais em que se acredita, mas também como realidade vivida existencialmente com sentido e significado profundos.
Outra consideração sobre os desafios sucessivos, é a possibilidade dos participantes e animadores assumirem um compromisso de serviço ao movimento ou à Igreja ao longo do ano. Neste contexto, referimos como possibilidade apoiar, incrementar e estimular algumas das propostas e experiências já existentes: a formação de alguns grupos após o campo (Grupos de Vida Cristã) que se encontram com regularidade durante o ano; o compromisso e responsabilização dos animadores na organização dos movimentos e nas actividades formativas realizadas ao longo do ano; a organização de actividades que proporcionem a construção e aprofundamento de amizades profundas que, uma vez iniciadas no Campos de Férias, perdurem no tempo. Para muitos adolescentes e jovens, participar nos Campos de Férias constitui a única possibilidade real de relação institucional com a Igreja."
José Silva Almeida, SJ
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